terça-feira, 22 de agosto de 2017

A INSPIRAÇÃO DE MARTE


Dos explosivos a penicilina; das ondas de radio ao lança chamas; dos corantes as armas químicas; da fissão do átomo a Hiroshima. Tudo que é bom e tudo que é ruim nasceu na guerra, sob os olhos furiosos de Marte. A natureza não revela seus segredos sem cobrar seu preço. Essa é a fatura que nós pagamos por nos pretender buscar um lugar acima das demais espécies.
TIAGO R.CARVALHO

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A ARVORE


A arvore, ferida de forma irreversível, têm seus galhos dobrados pelo peso dos frutos do outono. A abundancia desses frutos é uma reação da própria arvore que diante de uma realidade que espelha a proximidade do seu fim reconhece a si mesma como uma criatura que suporta as vicissitudes da vida.
No fim ela desaba sobre sua própria sombra lançando ao chão os frutos que a enfraqueceram e que farão renascer uma nova e desafiadora criatura de seu próprio destino.
AUTOR
TIAGO R. CARVALHO

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

HIPOCRISIA DO BOM SENSO


No Brasil a estreita ligação que se estabeleceu entre a política e a religião reflete a visão pessimista da bancada evangélica quanto a natureza do povo brasileiro: uma massa humana passional e sujeita ao pecado.
É por meio dessa analise medieval da sociedade que eles reivindicam uma postura mais atuante do Estado como regulador do comportamento. Nesse rastro as leis tornaram-se impregnadas de princípios cristãos e se reforça a imagem falha de que a sociedade brasileira se baseia em princípios morais. Por conseguinte o bom senso da hipocrisia promove a adoção do conservadorismo e passamos a viver do paradoxo: a nação que avança para o futuro sem sair de onde esta.
TIAGO R. CARVALHO

terça-feira, 25 de julho de 2017

CãozinhO


Foi-se embora o meu cãozinho!
Meu cãozinho se foi!
Meu herói... minha heroína;
Partiu com um dilacerante adeus
E me deixou aqui;
cheio de saudades;
cheio de lembranças;
que nunca morrem;
que nunca me deixam;
e que nunca me permitiram ser novamente
o que eu era antes dele.
TIAGO R. CARVALHO

sábado, 22 de julho de 2017

NÃO


Como podemos ser animais sociais e ao mesmo tempo adotarmos o comportamento irracional? Reconhecendo que a sociedade não é uma criação do homem e sim um fenômeno do qual ele faz parte.
Ao negar nossas responsabilidades, como seres ditos racionais, provocamos uma desordem de identidade que se realimenta do processo de socialização – atualmente dominado pelas redes sociais.
A necessidade de criar vínculos em toda parte, de diversas formas e por diversos meios exige a manutenção de uma identidade mutante que se traduz num abalo permanente do próprio ser. Entre a harmonia interior e a popularidade sacrifica-se a primeira em nome da segunda. Não seria a primeira vez em sua historia que o homem abdica da paz diante de seus interesses. A voz passional é sempre mais viril que a da razão.
Somos tão poderosamente conscientes de nosso intelecto que lhe negamos o papel de arbitro. Talvez devido ao medo de nos tornarmos excessivamente frios e mecânicos, ou quem sabe nossas mentes tenham evoluído mais rapidamente que nossos corpos - sempre presos a um conceito de felicidade que se traduz em sensações.
A verdade é que não negamos a razão por temer suas conseqüências, mas porque queremos abrir mão das responsabilidades que ele representa. Essa fuga, essa busca eterna pela juventude nos torna animais famintos por socialização. Queremos ser populares porque é assim que nos renovamos, nos tornamos fluidos, elementos sem uma forma física, sem um encaixe perfeito. É dessa forma, estando em todos os lugares ao mesmo tempo, que nos eximimos daquilo que nos adaptamos para ser: seres racionais.
Negar é, portanto a essência humana: da criança que quer ser adulto; do adolescente que desconsidera sua imaturidade ao adulto que nega os primeiros fios brancos reluzentes diante do espelho. Aquele que não suporta ouvir um “não” é o mesmo que diz “não” a si mesmo por toda a vida.
Não somos pacíficos embora saibamos as conseqüências da guerra.
Não somos preservacionistas embora testemunhemos a fúria da natureza.
Não somos caridosos embora saibamos como é dolorosa a fome.
Não somos humanos embora tenhamos consciência de como ser.
Não... Não têm desculpa!
AUTOR:
TIAGO RODRIGUES CARVALHO